A histórica conquista do Dedo de Deus

A histórica conquista do Dedo de Deus

A história

O pico do Dedo de Deus está localizado no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, com uma altura de 1692m, se destaca por sua imponência e rara beleza em um formato único.

Símbolo do Montanhismo Brasileiro, o Dedo de Deus é certamente um dos picos mais conhecidos do Brasil.

Não foi o primeiro pico a ser conquistado no país, antes dele podemos citar, por exemplo:

  • Em 1817 – O Pão de Açúcar, por estrangeiros, pela via Costão do Pão de Açúcar;
  • Em 1856 – José Franklin Massena vencer parte das Agulhas Negras, no Parque Nacional do Itatiaia;
  • Em 1879 – O Monte Olimpo, na Serra do Marumbi, Paraná, que recebeu a primeira equipe de montanhistas do Brasil.

Porém, até hoje, a conquista do Dedo de Deus que é considerada o marco do Montanhismo no Brasil, não só pela beleza cénica do cartão postal que emoldura o pico, mas, principalmente, pelo alcance do feito e influência que causou.

A conquista

No início do século XX um grupo de alpinistas alemães havia tentado sem sucesso chegar ao cume desta montanha, e aqui começa a história da conquista.

Ao tomar conhecimento da notícia o ferreiro pernambucano José Teixeira Guimarães, radicado em Teresópolis lançou a ideia de efetivar a conquista fracassada pelos estrangeiros. A ele se juntaram José Américo Oliveira Junior, Accacio José Oliveira, Raul Carneiro e Alexandre José Oliveira, todos de Teresópolis.

Conquistadores do Dedo de Deus

Fizeram Algumas incursões para reconhecimento do local e, no dia 6 de abril de 1912, pela manhã, o grupo partiu para a conquista do pico.

Gastaram um dia inteiro na caminhada de aproximação e montagem do acampamento-base.

Na manhã do dia 7 foram retomados os trabalhos e se depararam com a primeira grande dificuldade. Erguia-se a frente do grupo um paredão vertical de aproximadamente 12 m, com uma calha e fissura do lado direito, em que foram colocados, inicialmente 2 grampos de arganéu (Peça de ferro, de forma circular ou de oito, presa em um olhal, para engatar amarra).

Com auxílio de um tronco amarrado aos grampos é vencido um lance e alcançado um pequeno platô; mais 2 grampos e o mesmo recurso do tronco até vencerem o paredão.

Já o próximo obstáculo, com aproximadamente 3 m, foi vencido por meio de uma pirâmide humana, levando o grupo a base de uma chaminé horizontal muito estreita, com 8 m de extensão, vencida com alguma dificuldade após a colocação de outros 4 grampos. Depois, um lance externo e bastante exposto que exigiu a colocação de outros 3 grampos aos quais amarram um tronco.

Via da conquista em 1912
Via da conquista em 1912

Ao todo foram fixados 19 grampos de arganéu (feitos pelo ferreiro Teixeira). Como o cair da tarde e as condições climáticas, decidiram retornam à base do primeiro paredão onde, numa reentrância de pedra, se acomodam para passar a noite.

Na manhã do dia 8 de abril reiniciam a escalada repetindo, um a um, todos os lances vencidos no dia anterior.

Chegam, então, a uma chaminé bastante estreita mas de pouca dificuldade.

Logo após, outra chaminé, em forma de V, sendo nesta cravados mais 3 grampos no primeiro trecho e outros 2 no segundo, possibilitando o acesso a um platô bastante amplo.

Neste ponto foi possível antever a proximidade do cume, porém, a dificuldade que se apresentou foi um paredão, negativo, de aproximadamente 4 m. Foi colocado um grampo na base e outro a 1,5 m, fixam a ambos um tronco e fizeram uma pirâmide humana, pela qual Alexandre, o mais leve, subiu e pode fixar o último grampo, possibilitando, assim, a subida dos demais integrantes do grupo.

Às 11h45min do dia 8 de abril de 1912 e o Dedo de Deus fora conquistado! No mesmo dia, por volta de 12h30min, a bandeira do Brasil foi hasteada.

A repercussão

Ao retornarem a cidade de Teresópolis foram recebidos como heróis e o fato foi notificado com grande destaque pela imprensa.

Um feito notável para a época, principalmente considerando a falta de preparo técnico e a ausência de equipamentos de segurança.

Placa de homenagem aos conquistadores
Placa de homenagem aos conquistadores

Telegrama enviado de Teresópolis informa sobre a conquista do Dedo de Deus, ocorrida às 11h45min do dia 08 de abril de 1912.

Ascensão Arrojada

Pela primeira vez a bandeira brasileira tremula no “Dedo de Deus”.

Telegrama que acabamos de receber de Therezopolis informa-nos da arriscada expedição que fizeram ao Dedo de Deus os arrojados excursionistas José Teixeira Guimarães, José Américo Oliveira Junior, Accacio José Oliveira, Raul Carneiro e Alexandre José Oliveira, que deram mostras de grande arrojo na perigosa empresa, e também de bello patriotismo, desfraldando naquelas alturas, virgens de vestígio humano, o auriverde pendão brasileiro. É a primeira vez que a nossa bandeira fluctua em tão grande altitude.

Jornal “Correiro da Manhã”, 09 de abril de 1912 (terça-feira)

A Primeira ascensão ao “Dedo de Deus

De Therezopolis escreve-nos o conceituado capitalista Sr. Joaquim Freire, que assistiu á ascensão dos primeiros excursionistas que conseguiram galgar os ásperos cimos do “Dedo de Deus”.

“Escrevo-lhe com o espírito incendido e o coração transbordando alegria pelo acontecimento que hoje abalou os que, em Therezopolis, se interessam pelos feitos úteis. Hoje, dia 8, ás 11,45 da manhã, foi galgado o cimo do grande obelisco conhecido pelo nome de “Dedo de Deus”, (…)”

“(…) A´s 11.45, ascenderam o cimo; ás 12,40 fincavam a primeira bandeira branca, e á 1 hora içaram a bandeira nacional. Devo dizer-lhe, sem vaidades, mas intima satisfação, que fui eu quem primeiro desvendou os felizes profanadores do segredo que a Natureza tão avaramente escondeu nos píncaros daquela pedra. (…)”

Jornal “Correio da Manhã”, 10 de abril de 1912 (quarta-feira).

Selo comemorativo - 50 anos da conquista
Selo comemorativo pelos 50 anos da conquista
 
Vídeo: Divulgação

Fontes:

  • http://www.corridasdemontanha.com.br;
  • http://www.icmbio.gov.br/parnaserradosorgaos/;
  • Acervo da Fundação Biblioteca Nacional;
  • RAHAL, Osiris. “Imagens de Teresópolis”. Editora Soc. Gráfica Vida Doméstica. Teresópolis, 1984;
  • OSCAR, João. “História de Teresópolis: Síntese Cronológica”. Editora CROMOS. Niterói, 1991;
  • FÉO, Roberto. “Raízes de Teresópolis – outras histórias e outras coisas”. Editora Zem. Teresópolis, 2010.
www.teresopolis.info

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