Família Lippi

(Família Lippi)

A Origem

A origem da família Lippi, é datada do séc. XIII com Fillipo Lippi , um célebre pintor renascentista que até os dias de hoje os seus quadros são expostos em vários museus pelo mundo, como no museu do Louvre em Paris, Uruguai, no museu Ralli, está exposto uma Medalha cunhada de Bronze com a foto de Fellipino Lippi datada de 1454. Tais moedas, medalhas somente eram feitas a célebres pintores, escritores, etc.

Pintura renascentista de Fillipo Lippi
Pintura de Fillipo Lippi

A família Lippi que veio para o Brasil é oriunda da cidade de CILENTO em Salerno – Sul da Itália. É uma cidade muito pequena que conta apenas com 780 habitantes e possui uma Comune onde um dos administradores se chama Antônio Lippi. Existem também Lippi em Nápolis, uma grande quantidade, e, também, nos Estados Unidos onde em 1764 um Lippi se naturalizou americano.

Naturalização Americana
Naturalização Americana

Os imigrantes

João Rizzi Lippi (Giovanni Lippi) – irmão de Nicolau Rizzi Lippi e Thereza Lippi, chegaram ao Brasil saindo do porto de Gênova (Itália) entre os dias 28 de dezembro de 1888 a 01 de janeiro de 1889, pois chegou ao Brasil no Porto de Santos em 13/01/1889 com aproximadamente 17 anos, conforme consta a lista de passageiros do navio ” CARLO”. Considerando que o navio navegasse a 20 nó (milhas  náutica) e, que a distância é de 11.570 Km ou 6.300 milhas náuticas. O tempo aproximado de viagem foi de 13 a 15 dias.

Conforme certidão de casamento de João, podemos afirmar que a Sra. Cecília Bittencourt Lippi casou-se grávida aos 16 anos de idade. Imagine !!! Naquela época uma mulher se casar grávida ?!! imagina como deve ter sido !!!

Já na primeira geração dos Lippi nascidos no Brasil, uma personalidade se destacou em Teresópolis: Adhemar Rizzi Lippi, primogênito dos treze filhos do casal Cecília Bittencourt Lippi e João Rizzi Lippi.

Adhemar nasceu no dia 23 de maio de 1895 e fisicamente pareceu-se com seu pai e tornou-se o mais alto da família. Sendo o mais velho e filho de italiano, naquela época logo teve que dedicar-se ao trabalho para ajudar o pai nos negócios e com isto também permitir que os irmãos pudessem continuar os seus estudos. Apesar de ter parado antes do que gostaria, continuou a cultivar-se como um autodidata e com uma visão à frente de seu tempo, logo começou a contribuir com seu bairro e cidade a desenvolver-se.

Naquele tempo, não existia ainda a televisão e o rádio estava apenas começando. Para trazer distração e cultura, Adhemar em 12 de fevereiro de 1912, foi um dos fundadores do Grêmio Musical Paquequer (GMP), com apenas 16 anos de idade. O GMP com sede no Alto fazia muita retretas nos eventos da cidade, na qual Adhemar tocava clarinete e era também o responsável em preparar as partituras para cada instrumento da banda. Seus netos, chegaram a estudar música neste Grêmio que este ano completou seus 100 anos de existência.

Adhemar interessava-se também por esportes. Junto com um grupo de amigos do Alto, foram no início do século passado os primeiros a subir a famosa Pedra do Sino, na lindíssima Serra dos Órgãos em Teresópolis, com seus com 2275 metros de altitude, o ponto culminante. Esta ação foi registrada nos meios de comunicação da época e foi repetida algumas vezes, inspirando as gerações futuras. Hoje existe um parque nacional e uma trilha para a subida.

Ainda no esporte, depois de seu retorno da viagem a Itália em 1914 onde teve oportunidade de assistir alguns jogos de futebol (calcio em italiano), comprou várias bolas de couro que trouxe para o Brasil (bom lembrar que naquela época a indústria brasileira não fazia nem palito de limpar dentes).

Com seus 20 anos de idade, reuniu um grupo de amigos praticantes do esporte e em 4 de agosto de 1915 fundou o clube de futebol do Alto e o batizaram de Teresópolis Foot-ball Club, tornando-se o arquirrival do Várzea Futebol Club. O Teresópolis possui as mesmas cores da camisa do Fluminense, que são também as da bandeira da Itália.

Pode-se dizer que o Adhemar foi o primeiro “playboy” de Teresópolis, porque ele possuiu o primeiro automóvel da cidade. Imaginem numa época em que todos se locomoviam pela cidade em carroças ou a cavalo, possuir um Ford “Bigode” (modelo T)! Ele saia do trabalho no Alto, atravessava a Reta, passava pela Várzea, entrava pela Barra e chegava à Cascata do Imbuí para namorar a Sra. Edgahyr Claussen. Tudo isto na vertiginosa velocidade de 40 km/h ultrapassando todos os demais! Acho que sentia-se muito especial.

Hotel Rizzi

Rizzi Hotel - Década de 20
Rizzi Hotel – Década de 20

Em 1924 foi inaugurado o Rizzi Hotel o qual teve um papel muito importante na economia da cidade, pois empregava um grande número de pessoas e movimentava a economia da cidade.

Chegando na idade de formar sua própria família, Adhemar que trabalhava para seu pai e para seu tio Nicolau no hotel, sentindo que seu trabalho não estava sendo reconhecido, resolveu cuidar da sua vida. Pediu demissão e foi morar no Rio de Janeiro onde começou a trabalhar num hotel da Urca.

Passaram-se poucos meses e seu pai, João Rizzi Lippi, logo começou a ver que seu negócio com seu irmão, começou a andar rapidamente para trás. João enxergando a situação desfez a sociedade que tinha com seu irmão, foi para o Rio para uma reunião com seu filho Adhemar. Tiveram uma longa conversa quando colocaram todos os pingos nos “is”. João propôs então uma nova sociedade, desta feita com o Adhemar a frente. Este aceitou e voltou a viver em Teresópolis onde assumiu a posição de Gerente Geral do Rizzi Palace Hotel. Casou-se com Edgahyr Claussen e tiveram 4 filhos Eny, Reny, Mazzarino e  Nelly.

Em 1927 João Rizzi Lippi foi a óbito em uma das suas residências, essa situada em Vila Isabel – RJ à rua Souza Franco (conforme certidão de óbito). João usufruiu muito pouco do seu empreendimento.

Uruguai - Punta Del Leste - Museu Ralli, mostra a medalha de Fillipino Lippi
Uruguai – Punta Del Leste – Museu Ralli, medalha de Fillipino Lippi

Com a sua morte, o filho mais velho, Adhemar Rizzi Lippi assumiu a Administração do Hotel.

O auge do hotel ocorreu nas décadas de 30 e 40, bem depois que seu pai já havia falecido. Ele usando seu talento de liderança elevou o hotel a um nível que hoje seria classificado sem nenhuma dúvida como um 5 estrelas, com cassino e orquestra ao vivo. De um hotel desconhecido, ele o havia transformado num classe internacional.

Convite para ser candidato a prefeito da cidade.

É preciso lembrar que o Rizzi Palace Hotel era naquela época um dos maiores negócios da cidade, empregando um bom número de pessoas e atraindo um grande número de clientela. Sendo seu gerente, naturalmente ficou muito conhecido como um líder empresarial na cidade. Muito amigos queriam que esta liderança também fosse estendida para a administração da cidade e ofereceram-lhe e chegaram mesmo a inscrevê-lo como candidato a prefeito de Teresópolis. Adhemar, que nunca teve interesse em entrar para a política, declinou-se do convite.

Durante a Segunda Grande Guerra Mundial, com a proibição do jogo no Brasil, o ramo hoteleiro de cassinos de luxo como o Rizzi Palace Hotel sofreu muitíssimo e Adhemar acabou por ceder a pressão geral dos seus irmãos para vender o negócio. Esta venda foi para ele uma grande dor, depois de mais de 40 anos à frente do negócio que viu nascer e florescer.

Depois da venda do hotel, ainda fez outro pioneirismo:

Criou a primeira construtora de edifícios da cidade dando novo impulso. Nesta empresa trabalharam com ele, seu filho Reny e seu irmão Arnaldo. O primeiro edifício construído na cidade foi o Serra dos Órgãos, no Alto, se não me engano em 1945. Os apartamentos deste edifício são enormes, possuem lareiras etc. eu que nasci num deles, adorava lá morar. Construíram também outros prédios como o Santo Antônio em frente à igreja do Alto e outros na Várzea (na Francisco Sá e na Lúcio Meira).

Depois que se aposentou, como hobby, gostava de colecionar moedas antigas e de filatelia. A sua coleção de moedas foi distribuída a seus netos e a de selos para o neto Carlos Humberto; porém o hobby que mais praticava era a pintura a óleo. Sempre estava com o cavalete montado pintando algo. Aprendeu pintura sozinho e tinha muito prazer, fez muitos quadros e sempre presenteava-os para amigos e familiares, no Alto muitos possuem quadros dele. Seu autorretrato da época de suas bodas de prata e o quadro que ele fez especialmente para seu neto no nascimento, um cachorro terrier. Seu filho Reny, Nelly e Carlos Humberto também adquiriram este hobby, pintando quadros, um talento nato dos Lippi.

Em maio de 1965 comemorou-se, em sua moradia no Alto, seus 70 anos de idade, foi uma festa muito bonita quando vieram seus filhos, netos, irmãos e muitos amigos. Acabou por ser também sua despedida, pois em outubro do mesmo ano veio o seu falecimento. Adhemar passou uma vida de exemplo, de solidariedade e de discrição, ajudando a todos que dele dependeram. Foi como um pai para vários de seus irmãos, um excelente marido, um pai adorado por todos seus filhos. Para mim e meus irmãos Carlos Humberto e Roberto (seus netos), foi um enorme privilégio de termos tido uma personalidade como esta na cidade.

Adhemar tornou-se uma personalidade em Teresópolis e o reconhecimento se deu em 1966 quando rebatizaram a Rua Mamoré, no seu querido bairro do Alto, de Rua Adhemar Rizzi Lippi, orgulho que sentem todos que o conheceram.

Hoje, ainda está viva com 96 anos a Tia Hilda, última dos 13 filhos de João Rizzi Lippi. Um arquivo vivo !!! Mora ainda Teresópolis desde quando nasceu.

Texto: Renato Lippi

www.teresópolis.info
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Capital brasileira do montanhismo